Estudo do evangelho de João 6

O capítulo 6 do Evangelho de João é um capítulo bem extenso, com 71 versículos. Nele encontramos os seguintes acontecimentos:

  • Jesus experimenta Filipe
  • O quarto sinal: a multiplicação de pães e peixes
  • O quinto sinal: Jesus anda sobre as águas
  • A questão da fé e das obras
  • O primeiro “eu sou”: o pão da vida
  • A carne e o sangue
  • Alguns discípulos deixam Jesus
  • A confissão de Pedro

São muitos assuntos, com muitos ensinamentos para absorvermos. Vou tratar apenas de alguns pois realmente é possível escrever uma série de livros sobre cada um destes temas.

Continuamos ainda na parte do evangelho de João que chamamos de “Livro dos Sinais”, onde vemos o relato de sete sinais que Cristo realizou.

A multiplicação de pães e peixes

“E um dos seus discípulos, André, irmão de Simão Pedro, disse-lhe: Está aqui um rapaz que tem cinco pães de cevada e dois peixinhos; mas que é isto para tantos? E disse Jesus: Mandai assentar os homens. E havia muita relva naquele lugar. Assentaram-se, pois, os homens em número de quase cinco mil. E Jesus tomou os pães e, havendo dado graças, repartiu-os pelos discípulos, e os discípulos pelos que estavam assentados; e igualmente também dos peixes, quanto eles queriam. E, quando estavam saciados, disse aos seus discípulos: Recolhei os pedaços que sobejaram, para que nada se perca.”

João 6:8-12

Como vimos, este é o quarto sinal de Cristo. Alguns dirão que este é o sinal do poder de Cristo sobre a necessidade. Um ponto interessante é que este é um sinal que aparece nos quatros evangelhos.

Você provavelmente já ouviu muitas ministrações sobre esta passagem, pois ela é muito conhecida. Um dos vários ensinamentos que temos aqui é que Deus não está limitado pela quantidade de recursos que temos. Podemos ser mais que saciados com cinco pães e dois peixes, enquanto outras pessoas celebram imensos banquetes, mas não se sentem saciadas.

Uma outra lição que temos aqui é sobre como devemos repartir, mesmo o pouco que consideramos ter. Se retemos o que temos apenas para nós mesmos, aquilo não se multiplicará. Se compartilhamos com nosso próximo, mesmo o pouco que imaginamos ter, Deus trará a multiplicação necessária para que todas as pessoas se sintam saciadas.

Jesus anda por sobre as águas

“E, quando veio a tarde, os seus discípulos desceram para o mar. E, entrando no barco, atravessaram o mar em direção a Cafarnaum; e era já escuro, e ainda Jesus não tinha chegado ao pé deles. E o mar se levantou, porque um grande vento assoprava. E, tendo navegado uns vinte e cinco ou trinta estádios, viram a Jesus, andando sobre o mar e aproximando-se do barco; e temeram. Mas ele lhes disse: Sou eu, não temais. Então eles de boa mente o receberam no barco; e logo o barco chegou à terra para onde iam.”

João 6:16-21

Este é o quinto sinal que João descreve em seu livro. Podemos entender este sinal como o poder do Senhor sobre a natureza ou como o sinal da Paz. Veremos os dois entendimentos na literatura cristã.

Apesar de não estar descrito aqui em João, lemos que, nesta mesma passagem, Jesus acalmou a tempestade que havia se formado quando entrou no barco. Encontramos este relato em Marcos e Mateus:

“E, quando subiram para o barco, acalmou o vento.”

Mateus 14:32

Também não está descrito em no evangelho de João, mas é neste momento que Pedro caminha por sobre o mar com Cristo.

Esta é outra passagem muito famosa da Palavra e um dos entendimentos que temos aqui é sobre como as tempestades da vida podem nos abalar. Da mesma maneira que uma tempestade no meio do mar abalou os discípulos que estavam, provavelmente, numa embarcação simples, as tempestades da vida podem nos abalar. Porém Cristo, quando está conosco, acalma a tempestade e nos ajuda a atravessar esse momento difícil.

Um outro ponto de aprendizado aqui é que nós subestimamos a nossa fé. Quando Pedro anda por sobre as águas e começa a afundar Jesus lhe diz:

“E logo Jesus, estendendo a mão, segurou-o, e disse-lhe: Homem de pouca fé, por que duvidaste?”

Mateus 14:31

A nossa fé pode, literalmente, nos fazer andar sobre o mar, curar os enfermos, ressuscitar os mortos e muitas outras coisas. O que acontece, com frequência, é que nós estamos tão ligados ao vento forte que está batendo, que nos esquecemos que o próprio Jesus nos chamou para a realização destes milagres.

“E, repreendeu Jesus o demônio, que saiu dele, e desde aquela hora o menino sarou. Então os discípulos, aproximando-se de Jesus em particular, disseram: Por que não pudemos nós expulsá-lo? E Jesus lhes disse: Por causa de vossa incredulidade; porque em verdade vos digo que, se tiverdes fé como um grão de mostarda, direis a este monte: Passa daqui para acolá, e há de passar; e nada vos será impossível.”

Mateus 17:18-20

Jesus ensina aos discípulos que eles não puderam expulsar um demônio por conta da incredulidade deles e que, caso conseguissem se livrar desta falta de fé, poderiam fazer muitas maravilhas.

Devemos buscar essa fé e cumprir o nosso propósito.

Eu sou o Pão da vida

“Disseram-lhe, pois: Que sinal, pois, fazes tu, para que o vejamos, e creiamos em ti? Que operas tu? Nossos pais comeram o maná no deserto, como está escrito: Deu-lhes a comer o pão do céu. Disse-lhes, pois, Jesus: Na verdade, na verdade vos digo: Moisés não vos deu o pão do céu; mas meu Pai vos dá o verdadeiro pão do céu. Porque o pão de Deus é aquele que desce do céu e dá vida ao mundo. Disseram-lhe, pois: Senhor, dá-nos sempre desse pão. E Jesus lhes disse: Eu sou o pão da vida; aquele que vem a mim não terá fome, e quem crê em mim nunca terá sede. Mas já vos disse que também vós me vistes, e contudo não credes.”

João 6:30-36

No evnagelho de João nós veremos também sete declarações de Cristo como “Eu sou”. A primeira delas é esta de João 6, quando Ele diz: “Eu sou o pão da vida”.

Jesus havia acabado de realizar a primeira multiplicação de pães e peixes. A multidão estava seguindo-o para onde ele ia e ele diz para a multidão:

“Jesus respondeu-lhes e disse: Na verdade, na verdade vos digo que me buscais, não pelos sinais que vistes, mas porque comestes do pão e vos saciastes.”

João 6:26

Como já vimos anteriormente no Evangelho de João e também no livro de Provérbios, Cristo conhece o coração das pessoas, as intenções por trás das ações. Ele sabia que a multidão não estava seguindo-o para que tivessem vida, para que aprendessem com Ele sobre as verdades eternas. A multidão seguia Jesus pois queria experimentar os milagres que resolvessem os problemas deles.

Então Jesus segue dizendo algo que é essencial para entendermos este “Eu sou”:

“Trabalhai, não pela comida que perece, mas pela comida que permanece para a vida eterna, a qual o Filho do homem vos dará; porque a este o Pai, Deus, o selou.”

João 6:27

Aqui Ele já está deixando bem claro o que significa este “Eu sou”. Ele diz para a multidão que deveriam trabalhar para a comida que permanece para a vida a Eterna, uma que apenas Ele, sendo Cristo, poderia lhes dar.

Por isso Ele diz que é o “Pão da vida”. Assim como o alimento é necessário para que tenhamos vida, Ele é necessário para que tenhamos a vida eterna. A comparação é simples, mas a multidão, cega pela necessidade do milagre, não aceitou isso com o coração aberto.

É necessário que entendamos que o nosso relacionamento com Cristo é mais importante do que as nossas necessidades terrenas. O eterno é sempre uma prioridade em relação ao passageiro.

A confissão de Pedro

“Desde então muitos dos seus discípulos tornaram para trás, e já não andavam com ele. Então disse Jesus aos doze: Quereis vós também retirar-vos? Respondeu-lhe, pois, Simão Pedro: Senhor, para quem iremos nós? Tu tens as palavras da vida eterna. E nós temos crido e conhecido que tu és o Cristo, o Filho do Deus vivente.”

João 6:66-69

Pedro havia entendido algo que poucas pessoas entenderam e que muitos não entendem até hoje: abandonamos tudo o que pensávamos que precisávamos para seguir Cristo, recebemos tudo o que realmente precisamos quando passamos a segui-lo.

Quando temos esse entendimento em perspectiva, não podemos dizer outra coisa senão que não temos mais como voltar atrás. Mesmo que passemos por dificuldades, mesmo que as tribulações apareçam, não temos outra escolha, não temos outra saída sem ser seguir a Cristo.

Ele é quem nos dá a vida verdadeira, a vida eterna, o que precisamos para seguir em frente.

Já escrevi algumas vezes sobre este texto. Recomendo as seguintes leituras para um aprofundamento maior:

Mais textos sobre João 6

O capítulo 6 do Evangelho de João já rendeu muitos textos aqui no blog e certamente muitos livros sobre o assunto. Vou deixar a indicação de mais alguns textos para você refletir:

Sei que escrevi bastante neste estudo e ainda deixei vários outros textos para que vocês reflitam. Posso garantir que vale a pena meditar em tudo isso que falamos.

Como sempre, caso você tenha alguma dúvida ou queira discutir algum assunto do capítulo 6 do Evangelho de João, basta deixar o seu comentário.

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