Estudo de Atos 22

O capítulo 22 é a continuação do capítulo 21, onde vimos que Paulo foi espancado do lado de fora do templo e preso por Claudio Lísias. Aqui neste capítulo, vemos o seu discurso para aquelas pessoas que o haviam espancado.

Neste capítulo veremos:

  • Paulo fala com o povo em Aramaico (1 e 2)
  • A vida de Paulo antes da conversão (3 a 5)
  • A conversão de Paulo (6 a 13)
  • O propósito de Paulo (14 a 16)
  • A maneira como ele foi chamado para os gentios (17 a 21)
  • A multidão se enraivece com o discurso (22 a 24)
  • Paulo se declara cidadão romano (25 a 30)

Vamos analisar alguns destes assuntos mais a fundo.

Quem foi Paulo

Neste capítulo vemos Paulo dizendo:

“Quanto a mim, sou varão judeu, nascido em Tarso da Cilícia, mas criado nesta cidade aos pés de Gamaliel, instruído conforme a verdade da lei de nossos pais, zeloso para com Deus, como todos vós hoje sois.”

Atos 22:3

Ele começa se declarando judeu, algo que todo o povo ali sabia, mas reforçando que ele era um israelita puro, de uma família que não havia se misturado com outros povos.

Ele também diz que nasceu em Tarso da Cilícia, a capital da província imperial romana da Cilícia, que ficava próxima a Chipre e à província da Síria.

Apesar de ter nascido em Tarso, ele diz que havia sido criado em Jerusalém, como um discípulo de Gamaliel, que o instruiu na lei e o ensinou a zelar por ela. Paulo reforça que ele era um seguidor da lei, tanto quanto aqueles que o acusavam.

Este Gamaliel que é citado por Paulo é o mesmo de Atos 5:

“Mas, levantando-se no conselho um certo fariseu chamado Gamaliel, doutor da lei, venerado por todo o povo, mandou que, por um pouco, levassem para fora os apóstolos;”

Atos 5:34

Era um especialista na lei judaica, que era reconhecido por todo o povo com um bom judeu. Na época de Atos 5 ele era um dos líderes do Sinédrio.

Se você naõ se lembra da importância dele para a igreja, recomendo que releia o nosso post sobre Atos 5.

A novidade

Aqui em Atos 22, descobrimos algo novo sobre Paulo, algo que não havia sido informado até então neste livro:

“E aconteceu que, tornando eu para Jerusalém, quando orava no templo, fui arrebatado para fora de mim. E vi aquele que me dizia: Dá-te pressa e sai apressadamente de Jerusalém, porque não receberão o teu testemunho acerca de mim. E eu disse: Senhor, eles bem sabem que eu lançava na prisão e açoitava nas sinagogas os que criam em ti. E, quando o sangue de Estêvão, tua testemunha, se derramava, também eu estava presente, e consentia na sua morte, e guardava as vestes dos que o matavam. E disse-me: Vai, porque hei de enviar-te aos gentios de longe.”

Atos 22:17-21

Enquanto orava no tempo, Paulo tem uma visão de que ele estava sendo enviado aos gentios de longe. Também é informado que, em Jerusalém, as pessoas não receberiam o testemunho dele, de que o trabalho dele ali naquela cidade não seria frutífero.

Aprendemos duas coisas aqui: a primeira delas é a de que nosso trabalho não será frutífero em todos os lugares ou de todos os modos. Se Paulo, que foi um pregador eloquente, cheio do Espírito, que fez diversos sinais e escreveu boa parte do novo testamento, não era frutífero em todos os lugares, por qual motivo nós, muitas vezes, nos cobramos de ser? Às vezes nós nos cobramos demais.

A segunda coisa que aprendemos aqui é sobre a importância da oração. Paulo teve uma visão enquanto fazia a sua oração no templo. Para recebermos a direção do Espírito Santo, precisamos nos dedicar em oração, levarmos a sério a nossa vida de oração.

Para os gentios, não

Quando ouvem que Paulo havia tido esta visão onde Deus o chamava para os “gentios de longe”, os judeus ficam horrorizados:

“E disse-me: Vai, porque hei de enviar-te aos gentios de longe. E ouviram-no até esta palavra e levantaram a voz, dizendo: Tira da terra um tal homem, porque não convém que viva!”

Atos 22:21,22

Os judeus que estavam acusando Paulo o ouviram, de certa forma até com respeito, até o momento onde Paulo fala que tinha sido chamado por Deus para ir pregar para os gentios. Eles se achavam tão superiores por terem sido escolhidos como povo de Deus, que não poderiam aceitar que o Senhor estava incluindo os gentios no Seu Reino.

Jesus já tinha ensinado isso diversas vezes através de parábolas, dizendo que, como os israelitas não haviam atendido ao chamado do Senhor, a Palavra seria pregada para os gentios. A igreja, aqui em Atos, estava cumprindo isso.

Os religiosos da época erraram por não aceitarem que um povo que não fosse de Israel também fosse salvo. A salvação não está restrita a um povo, uma etnia, uma raça, uma igreja ou qualquer outra separação que queiramos fazer. Deus vai salvar qualquer pessoa que atenda ao Seu chamado.

Paulo, uma pessoa completa

Enquanto Claudio Lísias está o prendendo e dizendo que iria açoitá-lo para entender o que estava acontecendo, Paulo diz:

“É-vos lícito açoitar um romano, sem ser condenado?”

Atos 22:25b

Quando ouve que Paulo é romano, o tribuno fica espantado perguntando-lhe como ele havia conseguido tal honra. Claudio Lísias havia conquistado o mesmo título com uma grande quantia de dinheiro, ele havia comprado a sua cidadania. Paulo havia conseguido isso no nascimento, ou seja, seu pai já era um cidadão romano.

Ter esta nacionalidade, comprada ou herdada, trazia vários benefícios para a pessoa. Um deles, por exemplo, era o de não poder ser torturado sem um julgamento correto.

Paulo, na fé, como falei aqui no post, era um judeu, criado aos pés de Gamaliel, filho de judeus, seguidor da Lei. Falava vários idiomas e conhecia tanto a Lei quanto os grupos religiosos. Em relação à nacionalidade, era israelita e, ao mesmo tempo, romano. Era uma pessoa completa, pronta para os vários desafios que se apresentaram para ele.

Deus nos prepara e usa o que temos para que nós possamos cumprir o propósito que Ele tem para nossas vidas.

O capítulo termina com Claudio levando-o para ser apresentado aos sacerdotes e conselho para ser julgado.

Desafio do capítulo

Neste capítulo o seu desafio é comentar aqui quais são as habilidades que Deus te deu e que você acredita que serão usadas para o cumprimento do propósito.

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