Estudo de Atos 5

O capítulo 5 de atos está recheado de acontecimentos interessantes e que merecem ser estudados com calma. Neste capítulo veremos os seguintes eventos acontecendo:

  • A oferta de Ananias e Safira (1 a 11)
  • Milagres feitos pelos apóstolos (12 a 16)
  • Os apóstolos são presos (17 a 24)
  • Os apóstolos são interrogados (25 a 33)
  • A opinião de Gamaliel (34 a 39)
  • Os apóstolos são açoitados (40 a 42)

Vou analisar alguns deles que me chamaram mais a atenção.

A oferta de Ananias e Safira

“Mas um certo varão chamado Ananias, com Safira, sua mulher, vendeu uma propriedade e reteve parte do preço, sabendo-o também sua mulher; e, levando uma parte, a depositou aos pés dos apóstolos. Disse, então, Pedro: Ananias, por que encheu Satanás o teu coração, para que mentisses ao Espírito Santo e retivesses parte do preço da herdade? Guardando-a, não ficava para ti? E, vendida, não estava em teu poder? Por que formaste este desígnio em teu coração? Não mentiste aos homens, mas a Deus.”

Atos 5:1-4

O capítulo 5 começa com um relato que está conectado com o capítulo 4. Falamos um pouco disso no estudo do capítulo 4 de atos. Aqui este casal vende uma propriedade e, ao invés de trazer o valor todo para ofertar, trazem apenas uma parte.

Note que o problema aqui não foi a oferta ou trazer apenas os 50%, a questão aqui foi fazer isso fingindo que estavam trazendo tudo, provavelmente, com a intenção de mostrar isso para as pessoas. A resposta de Pedro, como falamos no estudo anterior, deixa isso bem evidente.

Não era necessário que eles trouxessem essa oferta. Eles poderiam não ter vendido a propriedade, poderiam ter trazido o mesmo valor que levaram, porém sem a intenção de mentir ou de querer mostrar que estavam participando daquilo.

Isso é o que a religião faz conosco: faz com que pratiquemos algumas coisas que não são o que realmente queremos fazer. Faz com que façamos as coisas no modo automático, sem que nos importemos em estar praticando aqui integralmente.

Na religião fazemos as coisas para que as outras pessoas vejam, não para que Deus seja glorificado. Na religião fazemos as coisas para agradar a nossa alma, não para dar glória a Deus.

O que precisamos entender é que não somos obrigados a ofertar mas, quando ofertarmos, devemos fazê-lo de coração limpo e por inteiro.

“Cada um contribua segundo propôs no seu coração, não com tristeza ou por necessidade; porque Deus ama ao que dá com alegria.

2 Coríntios 9:7

Essa passagem de Ananias e Safira fala muito menos sobre dinheiro e muito mais sobre como encaramos a vida com Deus.

Estamos indo na igreja por qual motivo? Estamos nos dedicando em leitura da Palavra, em pregar, em orar, por quais motivos?

A prisão dos apóstolos

Um pouco mais a frente, neste capítulo 4, vemos a prisão dos apóstolos:

“E, levantando-se o sumo sacerdote e todos os que estavam com ele (e eram eles da seita dos saduceus), encheram-se de inveja,”

Atos 5:17

O mais interessante nessa passagem, na minha opinião, é que eles fizeram isso por estarem “cheios de inveja”.

A Palavra não deixa claro o motivo pelo qual eles se encheram de inveja mas, o texto exatamente anterior, relata o seguinte:

“E a multidão dos que criam no Senhor, tanto homens como mulheres, crescia cada vez mais, de sorte que transportavam os enfermos para as ruas e os punham em leitos e em camilhas, para que ao menos a sombra de Pedro, quando este passasse, cobrisse alguns deles. E até das cidades circunvizinhas concorria muita gente a Jerusalém, conduzindo enfermos e atormentados de espíritos imundos, os quais todos eram curados.”

Atos 5:14-16

A igreja estava crescendo e os milagres estavam acontecendo aos montes. Esse era o motivo da inveja?

É interessante notar que, por estarem acontecendo coisas muito boas, os fariseus estavam com inveja. Talvez eles quisessem experimentar este mesmo crescimento e os milagres acontecendo.

Isso fala muito comigo sobre a nossa atitude hoje em dia. Às vezes vemos um ministério crescendo, uma igreja atraindo muitas pessoas, uma igreja onde muitos milagres acontecem e, ao invés de glorificarmos a Deus por isso, acabamos julgando a igreja e as pessoas.

Se as pessoas estão sendo alcançadas pelo evangelho através de uma outra célula, glória a Deus. Se isso está acontecendo através de uma outra igreja cristã, glória a Deus. Talvez a outra igreja tenha uma liturgia diferente, um outro ponto menor de diferença em relação à sua, mas qual é o problema com isso? Se Deus está agindo ali e as pessoas estão se convertendo, estão sendo curadas, estão sendo cheias do Espírito, glória a Deus.

A igreja não é de homens, a igreja é de Cristo. A igreja de Cristo não é a placa que você carrega, é o povo que se rendeu a Ele.

A opinião de Gamaliel

Muito conectado com esta questão da inveja dos fariseus, temos a opinião de Gamaliel:

“Porém, ouvindo eles isto, se enfureceram e deliberaram matá-los. Mas, levantando-se no conselho um certo fariseu chamado Gamaliel, doutor da lei, venerado por todo o povo, mandou que, por um pouco, levassem para fora os apóstolos; e disse-lhes: Varões israelitas, acautelai-vos a respeito do que haveis de fazer a estes homens. Porque, antes destes dias, levantou-se Teudas, dizendo ser alguém; a este se ajuntou o número de uns quatrocentos homens; o qual foi morto, e todos os que lhe deram ouvidos foram dispersos e reduzidos a nada. Depois deste, levantou-se Judas, o galileu, nos dias do alistamento, e levou muito povo após si; mas também este pereceu, e todos os que lhe deram ouvidos foram dispersos. E agora digo-vos: Dai de mão a estes homens, e deixai-os, porque, se este conselho ou esta obra é de homens, se desfará, mas, se é de Deus, não podereis desfazê-la, para que não aconteça serdes também achados combatendo contra Deus.”

Atos 5:33-39

Note como a sabedoria de Gamaliel traz um pouco de realidade para aqueles fariseus. A mesma coisa que ele disse há milhares de anos ainda vale para nós: “se este conselho ou esta obra é de homens, se desfará, mas, se é de Deus, não podereis desfazê-la”.

Nada pode parar a obra de Deus e, ao mesmo tempo, não existe obra humana que resista.

Por isso, como tenho dito recentemente, nada do que fazemos pode ser algo nosso, mas deve ser para a glória de Deus. O que você está fazendo precisa glorificar ao Senhor, caso contrário será apenas uma obra humana.

Um outro ponto que temos para uma reflexão futura aqui é: mesmo um fariseu podia compreender a realidade do que estava acontecendo. Não podemos nunca nos esquecer da importância do povo de Israel na história da salvação. Quanto mais leio a Palavra e quanto mais estudo sobre este povo, mais percebo algo que eu não concordava: não podemos entender plenamente tudo o que acontece conosco como igreja, sem entendermos muito bem a relação de Israel com o SENHOR.

Desafio do capítulo

Neste capítulo eu não falei sobre o trecho que fala dos milagres que os apóstolos estavam fazendo. Então o desafio de hoje é: comente aqui a sua interpretação sobre os versículos 12 a 16 e como você aplica na sua vida o que aprendeu nestes versos.

Paz.

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