Estudo do Evangelho de João 9

No capítulo 9 do Evangelho de João temos o sexto sinal de Cristo e importantes versículos sobre os quais devemos refletir. Basicamente vemos os seguintes assuntos neste capítulo:

  • A cura do cego de nascença (versos 1 a 7)
  • O cego é interrogado por várias pessoas (8 a 17)
  • O fariseus interrogam os pais do cego (18 a 23)
  • Os fariseus interrogam novamente o cego (24 a 34)
  • Jesus se revela como Cristo (35 a 41)

Note que o capítulo todo é usado para se falar sobre essa cura e as consequências dela. É um texto muito importante e que todas as pessoas devem conhecer.

A cura do cego de nascença

Certamente precisamos meditar no sexto sinal que Cristo faz, que é a cura do cego de nascença. Nesse episódio, os discípulos começam questionando:

“E, passando Jesus, viu um homem cego de nascença. E os seus discípulos lhe perguntaram, dizendo: Rabi, quem pecou, este ou seus pais, para que nascesse cego? Jesus respondeu: Nem ele pecou nem seus pais; mas foi assim para que se manifestem nele as obras de Deus.”

João 9:1-3

Somente estes versículos já nos dariam um bom tempo de reflexão e muitos aprendizados. Este texto fala sobre a soberania de Deus e seus altos propósitos, inatingíveis à mente humana. Note que essa pessoa nasceu cega e isso não foi “culpa” de ninguém, foi simplesmente a vontade ou a permissão de Deus, para que nele se cumprisse um propósito muito maior.

Para algumas pessoas isso é muito difícil de aceitar, que Deus tenha permitido que uma pessoa nascesse cega para cumprir um propósito maior. Porém a Palavra é clara neste texto.

Eu entendo que esse texto fala do amor de Deus, que pode curar até mesmo aquilo que pensamos ser algo que nunca vai mudar. Na minha opinião, precisamos passar menos tempo tentando entender o motivo das coisas acontecerem e passar mais tempo crendo que Deus é poderoso para mudar qualquer circunstância.

Quem pecou?

A pergunta dos discípulos: “quem pecou?” também é interessante e demonstra um costume da época: sempre que alguém tinha uma doença como essa ou até mesmo sofria com a pobreza, os judeus atribuíam isso a algum pecado cometido pela pessoa ou pelos seus ascendentes mais próximos.

Jesus quebra esse pensamento, mostrando que ninguém tinha pecado e que nem tudo o que acontece em nossas vidas é consequência daquilo que fizemos. Algumas coisas são simplesmente a vontade ou a permissão de Deus para tal.

Não é este o que mendigava?

Outro ponto interessante do texto é o questionamento que os vizinhos fazem:

“Então os vizinhos, e aqueles que dantes tinham visto que era cego, diziam: Não é este aquele que estava assentado e mendigava? Uns diziam: É este. E outros: Parece-se com ele. Ele dizia: Sou eu.”

João 9:8,9

Dizem os mais estudiosos que as pessoas como este homem, que nasciam com ou desenvolviam doenças e dificuldades mais agudas, mendigavam pois isso, além de ajudar a família, ajudava os judeus a darem esmolas. O ato de doar dinheiro para as pessoas em necessidade era bem visto diante deles pois era um ato de caridade, algo do qual Deus se agradava.

Note porém que eles nem mesmo prestavam atenção à pessoa que, por muitos anos, estava lá, no mesmo lugar. A Palavra diz que nem os vizinhos tinham certeza de que ele era aquele homem, cego desde o nascimento.

Eles usavam esse homem para satisfazer a necessidade de fazer a obra de dar esmolas, mas mal prestavam atenção nele. Não podemos fazer obras sem considerar que elas devem ser frutos do amor ao próximo. A obra pela obra, pela necessidade de satisfazer algum mandamento, é vazia, como vemos em Hebreus 6:1 e 9:14.

O apelo do texto aqui, para mim, é: não pratique obras mortas, obras que só visam o cumprimento de um mandamento sem o entendimento do amor a Deus e ao nosso próximo. Podemos frequentar todos os cultos, fazer muitas coisas na igreja e, mesmo assim, isso tudo ser uma obra morta.

Todos são pecadores, menos eu

O texto entre os versos 24 e 34 também é muito importante. Nele vemos os fariseus interrogando o cego, começando com o seguinte apelo:

Chamaram, pois, pela segunda vez o homem que tinha sido cego, e disseram-lhe: Dá glória a Deus; nós sabemos que esse homem é pecador.

João 9:24

O texto segue com um argumento não breve do homem que era cego, expondo como os fariseus estavam se enganando. O versículo 34 diz o seguinte:

“Responderam eles, e disseram-lhe: Tu és nascido todo em pecados, e nos ensinas a nós? E expulsaram-no.”

João 9:34

Note que, para evitar enxergar a verdade que era óbvia até para os menos estudados, eles passam a defender sua posição atacando outras pessoas e colocando-se numa posição de superioridade.

Para eles, Jesus era um pecador, o que era cega era um pecador, mas eles eram perfeitos. É nesse tipo de erro que muitas vezes nós, cristãos de longa data, caímos. Pensamos que somos superiores a outras pessoas, como se já não pecássemos, se soubéssemos de todas as coisas e não precisássemos de ajuda.

Não somos superiores a ninguém.

Outros textos sobre João 9

Eu já falei aqui no blog outras vezes sobre João 9. Separei três textos para vocês refletirem.

Ainda existem diversos outros ensinamentos que podemos extrair desse capítulo. Caso você tenha lido e sido tocado por outra passagem, deixe o seu comentário.

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