Salvação e Senhorio

Jesus é o nosso Salvador. Essa é uma das bases da fé cristã: Jesus é o Cristo, o filho de Deus e morreu na cruz para pagar o preço eterno de nossos pecados.

Temos diversos versículos onde podemos entender essa verdade, um deles é este:

Nisto está o amor, não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou a nós, e enviou seu Filho para propiciação pelos nossos pecados.

1 João 4:10

Porém, além de ser o nosso Salvador, ao nos salvar, também se torna Senhor de nossas vidas. Isso muda tudo para nós. Ele não apenas nos salvou, Ele nos comprou com o seu sangue (ap 5:9), fazendo-se Senhor de nossas vidas:

“A saber: Se com a tua boca confessares ao Senhor Jesus, e em teu coração creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo.”

Romanos 10:9

Note que Paulo está afirmando que, para sermos salvos, precisamos confessar a Jesus, mas não apenas crendo que ele é o nosso Salvador e sim como “Senhor Jesus”.

A palavra utilizada aqui por Paulo e traduzida como “Senhor” é a palavra grega “kyrios”. Essa palavra denota um homem que tem a posse de algo, que é dono de alguma coisa e tem total poder sobre ela. É utilizada para denonimar o senhorio de alguém sobre outra pessoa, um mestre ou príncipe. Normalmente utilizada para falar sobre o senhorio de Cristo sobre nossas vidas.

É a mesma palavra utilizada no texto abaixo:

“E por que me chamais, Senhor, Senhor, e não fazeis o que eu digo?”

Lucas 6:46

Jesus pergunta aos discípulos o motivo de o chamarem de Senhor, sendo que não o obedeciam. Ele estava deixando claro que era necessário submeter-se a Ele como Senhor para que pudessem ser discípulos verdadeiros.

Não existe a possiblidade de caminharmos com Cristo se não nos submetermos ao seu Senhorio.

O que significa dizer que Jesus é nosso Senhor?

Em resumo, podemos dizer que passamos a ser servos de Cristo ou, como alguns preferem, escravos de Cristo. Um Senhor é dono de um escravo, ele comprou uma pessoa e agora ela a serve como escravo.

É um termo forte para nós, somos todos contra a escravidão aos homens, ao trabalho escravo, porém, este é o conceito que mais se aproxima do entendimento de que Jesus é o nosso Senhor. Sei que é um conceito que choca muitas pessoas, mas é a realidade de uma parte de nosso relacionamento com Cristo.

Paulo se declara, ao se apresentar à igreja de Roma, como servo de Cristo:

“Paulo, servo de Jesus Cristo, chamado para apóstolo, separado para o evangelho de Deus.”

Romanos 1:1

A Palavra utilizada por Paulo aqui é “doulos”, que tem como principal tradução: “escravo”. Note que, apesar da tradução de João Ferreira de Almeida utilizar a palavra “servo”, a tradução de David Stern, feita diretamente do texto em hebraico, utiliza a palavra “escravo”.

Quando escreveu “Perseguição na igreja primitiva”, em 1960, Herbert Workman contou a história de uma mulher rica que se declarou uma escrava para o juiz. Ao ser questionada de quem ela era escrava, ela diz: “Escrava de Cristo”.

Esse conceito de sermos escravos de Cristo é muito bem analisado por Martinho Lutero em seu livro “Nascido Escravo”. Para ele, a doutrina da escravidão é uma das bases da nossa fé.

É preciso então entendermos o que significa dizer que Ele é o nosso Senhor. A bíblia nos dá algumas pistas.

A primeira delas no versículo de Lucas 6:6, que vimos anteriormente, onde lemos que precisamos obedecer ao Senhor. É necessário que façamos aquilo que Jesus nos diz para fazer, caso contrário, não estaremos O recebendo como Senhor.

O segunda pista que temos na Palavra, encontramos na primeira carta de Paulo aos Coríntios:

“Ou não sabeis que o vosso corpo é o templo do Espírito Santo, que habita em vós, proveniente de Deus, e que não sois de vós mesmos? Porque fostes comprados por bom preço; glorificai, pois, a Deus no vosso corpo, e no vosso espírito, os quais pertencem a Deus.”

1 Coríntios 6:19,20

Aqui aprendemos que não somos de nós mesmos, ou seja, tudo o que fazemos, pensamos e somos, deve estar de acordo com aquilo que o nosso Senhor deseja. O que você faz agrada ao seu Senhor? O que você pensa está de acordo com o que Ele deseja? Aquilo que você vê e fala, é do agrado do seu Senhor?

Essa é uma das questões mais sérias da fé cristã. No livro “O evangelho segundo Jesus”, John MacArthur investe muito tempo para nos explicar o quanto temos, em nossos dias, deturpado a doutrina da escravidão em detrimento de enxergarmos Jesus apenas como nosso Salvador. Em sua opinião, isso gera uma fé fácil e superficial:

“O testemunho da igreja para o mundo tem sido sacrificado no altar da graça barata. Formas chocantes de imoralidade aberta têm se tornado coisa trivial entre professos cristãos. E por que não? A promessa de vida eterna, sem uma rendição à autoridade divina, alimenta a mesquinhez do coração não-regenerado. Os entusiásticos convertidos a este novo evangelho creem que o seu comportamento nada tem a ver com o seu status espiritual — mesmo que permaneçam libertinamente apegados aos tipos mais grosseiros de pecado e de formas de depravação humana.”

John MacArthur – O evangelho segundo Jesus

Uma outra pista que temos na Palavra é esta:

“Mas agora, libertados do pecado, e feitos servos de Deus, tendes o vosso fruto para santificação, e por fim a vida eterna.”

Romanos 6:22

Aqui vemos Paulo chamando os cristãos, servos de Deus, a andarem em santidade e não mais presos ao pecado que antes os escravizava.

Dentre as várias verdades que a bíblia nos ensina sobre nosso relacionamento com Cristo, quis destacar estas três: precisamos obedecer, precisamos fazer todas as coisas para agradar ao nosso Senhor e precisamos andar em santidade. Parecem conceitos simples, que todos nós já ouvimos diversas vezes, mas quando refletimos sobre a verdade de que somos servos, passamos a olhar para essas simples verdades de maneira diferente.

Que nós possamos refletir sobre este assunto e deixar que o Espírito Santo nos guie.

Paz.

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