Estudo de Gênesis 4

No capítulo 4 de Gênesis temos a famosa história do primeiro assassinato, onde Caim mata seu irmão Abel. Porém, este capítulo nos ensina muito mais do que apenas o que aprendemos nessa história.

Neste capítulo vemos os seguintes assuntos:

  • O nascimento de Caim e Abel (1 e 2)
  • As ofertas de Caim e Abel (3 a 7)
  • O primeiro assassinato (8 a 15)
  • A geração de Caim (16 a 22)
  • A vingança de Lameque (23 e 24)
  • O nascimento de Sete (25 e 26)

Veremos alguns destes pontos no estudo de hoje.

As ofertas de Caim e Abel

Começamos vendo que nascem Caim e Abel, e que ambos trazem ofertas para o Senhor:

“E aconteceu, ao cabo de dias, que Caim trouxe do fruto da terra uma oferta ao Senhor. E Abel também trouxe dos primogênitos das suas ovelhas e da sua gordura; e atentou o Senhor para Abel e para a sua oferta.”

Gênesis 4:3,4

A primeira coisa que notamos é que, de alguma forma, Caim e Abel sabiam que deveriam ofertar algo ao Senhor. Apesar de não termos nenhum relato disso, podemos entender que Deus já havia mostrado para eles, de alguma forma, o princípio da oferta.

Além disso, lemos que Caim levou “uma oferta”, e Abel levou “dos primogênitos das suas ovelhas e da sua gordura”. Note aqui como temos uma diferença no tipo de oferta que foi levada: a de Caim foi levada de qualquer coisa, a de Abel foi levada do melhor que ele tinha.

Claramente nos lembramos da passagem onde Jesus fala sobre a pobre viúva:

“E, chamando os seus discípulos, disse-lhes: Em verdade vos digo que esta pobreviúva depositou mais do que todos os que depositaram na arca do tesouro; porque todos ali depositaram do que lhes sobejava, mas esta, da sua pobreza, depositou tudo oque tinha, todo o seu sustento.”

Marcos 12:43,44

No entendimento deste princípio de ofertas, devemos também entender que nossas ofertas ao Senhor não podem ser feitas de qualquer maneira, devem sempre ser o nosso melhor. Entendo que isso não se aplica apenas ao sentido financeiro, mas também num sentido mais amplo: tudo o que fazemos para o Senhor, deve ser o nosso melhor.

Na continuação do texto, lemos:

“Mas para Caim e para a sua oferta não atentou. E irou-se Caim fortemente, e descaiu-lhe o seu semblante. E o Senhor disse a Caim: Por que te iraste? E por que descaiu o teu semblante? Se bem fizeres, não haverá aceitação para ti? E, se não fizeres bem, o pecado jaz à porta, e para ti será o seu desejo, e sobre ele dominarás.”

Gênesis 4:5-7

Vemos que, antes de rejeitar a oferta, Deus rejeita a atitude de Caim. Deus não olha apenas para o que estamos fazendo, mas como está o nosso coração ao fazê-lo. Muitas vezes podemos fazer coisas incríveis, mas com a intenção errada. Caim estava levando uma oferta, o que era bom, mas com indiferença, levando algo comum. Antes de olhar para o valor que está sendo entregue, Deus olha para o nosso coração.

O primeiro assassinato

Vemos então o primeiro assassinato relatado na Palavra:

“E disse o Senhor a Caim: Onde está Abel, teu irmão? E ele disse: Não sei; sou eu guardador do meu irmão? E disse Deus: Que fizeste? A voz do sangue do teu irmão clama a mim desde a terra.”

Gênesis 4:9,10

Note como, mesmo após Caim ter pecado ao levar uma oferta qualquer, ter pecado ao ter raiva de seu irmão e ter pecado ao assassiná-lo, ele ainda se comporta com mentira e sarcasmo diante de seu criador.

Veja também como, pela segunda vez, apesar de Deus saber o que havia acontecido, ele busca ter relacionamento com Caim, indo até ele e questionando sobre o assunto. Algumas pessoas acreditam que isso talvez tenha sido um ato de misericórdia, uma chance para que Caim confessasse o pecado e se arrependesse.

Além disso, encontramos com o sangue de um ser humano sendo derramado e como aquele sangue clamou a Deus. Nos encontramos aqui com Cristo, que derrama o seu Sangue por nós, conquistando o perdão dos nossos pecados.

Após isso vemos como Caim não aceita em silêncio o juízo de Deus, mas sente a necessidade de se vitimizar:

“Então, disse Caim ao Senhor: É maior a minha maldade que a que possa ser perdoada.”

Gênesis 4:13

Tudo o que fazemos pode ser perdoado. Crer nisso é imprescindível para nossa caminhada de fé, uma vez que ainda estamos suscetíveis ao pecado.

“Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça.”

1 João 1:9

Após isso, vemos que Caim sai da presença de Deus.

“E saiu Caim de diante da face do Senhor e habitou na terra de Node, da banda do oriente do Éden.”

Gênesis 4:16

É isso que o pecado faz conosco, nos faz cada vez mais distantes de Deus. Veja como Caim é mencionado, posteriormente, na Palavra:

Porque esta é a mensagem que ouvistes desde o princípio: que nos amemos uns aos outros.
Não como Caim, que era do maligno e matou a seu irmão. E por que causa o matou? Porque as suas obras eram más, e as de seu irmão, justas.

1 João 3:11,12

João se refere a Caim como sendo “do maligno”, uma pessoa que não está mais com o Senhor e se voltou totalmente para o caminho das trevas.

A vingança de Lameque

Mais para o final do capítulo lemos sobre a descendência de Caim:

“E disse Lameque a suas mulheres: Ada e Zilá, ouvi a minha voz; vós, mulheres de Lameque, escutai o meu dito: porque eu matei um varão, por me ferir, e um jovem, por me pisar. Porque sete vezes Caim será vingado; mas Lameque, setenta vezes sete.”

Gênesis 4:23,24

Aqui nesta passagem vemos um contraste com a maneira como Jesus fala sobre o perdão para Pedro:

“Então, Pedro, aproximando-se dele, disse: Senhor, até quantas vezes pecará meu irmão contra mim, e eu lhe perdoarei? Até sete? Jesus lhe disse: Não te digo que até sete, mas até setenta vezes sete.”

Mateus 18:21,22

Lameque queria se vingar de maneira sem fim, Jesus nos ensina sobre o perdão sem fim. O ensinamento de Cristo sempre vai na contramão do mundo. Enquanto o mundo busca a justiça própria e a vingança, Jesus prega o amor e o perdão. Devemos nos parecer cada dia mais com Cristo.

Lameque também foi o primeiro polígamo que encontramos na Bíblia, mostrando como, cada vez mais, a humanidade se afastava dos desígnios de Deus. A monogamia foi introduzida pelo próprio Senhor no Éden, o homem deturpou também este preceito ao desobedecer ao Senhor.

O nascimento de Sete

Após isso, vemos que Adão e Eva geram Sete:

“E tornou Adão a conhecer a sua mulher; e ela teve um filho e chamou o seu nome Sete; porque, disse ela, Deus me deu outra semente em lugar de Abel; porquanto Caim o matou. E a Sete mesmo também nasceu um filho; e chamou o seu nome Enos; então, se começou a invocar o nome do Senhor.”

Gênesis 4:25,26

Na geração de Sete vemos que o nome do Senhor começa a ser invocado, ou seja, a humanidade começa a perceber que a distância de Deus, que costumava encontrar-se com eles na viração do dia, precisa ser restaurada.

Aqui nos encontramos novamente com Cristo, que rasga o véu que separava os homens da presença de Deus, restaurando essa comunhão perdida. Em Sete a humanidade começa uma busca por restaurar a comunhão perdida, Cristo realiza isso na Cruz, milhares de anos mais tarde.

Desafio do capítulo

No capítulo de hoje seu desafio é falar sobre o que chamou mais a sua atenção neste capítulo. O que você aprendeu que vai levar para sua vida? Qual versículo lhe chamou mais a atenção?

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