Estudo de Provérbios 28 – Parte 3

Continuando nosso estudo de Provérbios 28, quero falar sobre um terceiro texto que me chamou a atenção neste capítulo.

Caso você ainda não tenha lido os posts anteriores sobre este capítulo, seguem os links:

O pecado oculto

“O que encobre as suas transgressões nunca prosperará, mas o que as confessa e deixa, alcançará misericórdia.”

Provérbios 28:13

Este é um provérbio de Salomão onde ele usa a comparação para fazer seu argumento. Vimos, ao longo de nosso estudo de Provérbios, muitos textos como este, onde o autor faz comparações entre duas situações distintas.

Por isso quero dividir o texto nos dois argumentos:

“O que encobre as suas transgressões nunca prosperará”: podemos entender, vendo isoladamente esta parte do texto, que se queremos ser prósperos em nossas vidas, não podemos esconder nossos pecados. Devemos confessá-los e então alcançaremos a tão sonhada paz financeira.

“mas o que as confessa e deixa, alcançará misericórdia.”: aqui entendemos, olhando para esta parte do texto, que quando confessamos nossos pecados e os abandonamos, alcançamos a misericórdia de Deus. Ou seja: não podemos pecar, devemos viver uma vida santa.

Se o que você extrai deste texto é apenas a última parte do que escrevi: “não podemos pecar, devemos viver uma vida santa”, ótimo, você extraiu um entendimento simples porém poderoso para a sua vida e totalmente conectado com o restante das escrituras.

Porém algo me chamou a atenção aqui: por qual motivo Salomão está comparando a prosperidade financeira com a misericórdia de Deus? Num primeiro momento não me pareceu fazer sentido e eu fui buscar entender isso.

Minha primeira análise foi em relação à palavra utilizada no hebraico para o que João Ferreira de Almeida traduziu como “prosperidade”. Aqui vejo que ele foi muito feliz em sua tradução, pois é o significado e uso mais comum da palavra hebraica tsalach.

Levei então minha pesquisa para o que outros autores falaram sobre o assunto, outras bíblias e outras traduções, algo que encontrei de bem coerente com o texto foi a análise do teólogo Adam Clarke, que diz:

Se o pecador não reconhece seus pecados; se ele os cobrir e desculpar, e se recusar a vir à luz da palavra e do espírito de Deus, para que suas ações não sejam reprovadas, ele não encontrará salvação. Deus nunca admitirá uma alma pecaminosa e não humilhada em seu reino.

Adam Clarke – Comentário bíblico

Veja como ele relaciona a prosperidade não com a riqueza ou com bens materias, mas com a salvação.

Apesar de parecer fazer todo o sentido com o provérbio e também com o restante da Palavra, não estava contente e fui analisar outros textos que usam a mesma palavra. Dentre eles, encontrei vários onde a palavra foi traduzida por João Ferreira de Almeida como “triunfar”, por exemplo:

“E todos os profetas profetizaram assim, dizendo: Sobe a Ramote de Gileade, e triunfarás, porque o Senhor a entregará na mão do rei.”

1 Reis 22:12

Ambos os versículos utilizam a mesma palavra original, traduzida para duas palavras diferentes no português. Sinceramente não acredito que a tradução esteja incorreta ou ruim. O trabalho de João Ferreira de Almeida, mais uma vez, mostrou-se impecável. Utilizar a palavra “triunfar” no lugar de “prosperar” não facilitaria em nada o entendimento deste provérbio.

Porém, saber que ela é utilizada de outras maneiras, conectá-la com a comparação com “misericórdia” e considerar a bíblia como um todo, nos faz entender melhor que Salomão, neste caso, não está falando sobre prosperidade financeira. Aqui, ele está falando sobre a nossa salvação, sobre o triunfo final que teremos ao final da vida.

Este é mais um texto que nos mostra como nós temos a capacidade de olhar para a Palavra tentando encontrar alento para as nossas dores egoístas, como se a Bíblia estivesse aqui para nos trazer conforto. A Palavra de Deus não existe para nós, mas sim para glorificar a Deus, para apresentar o SENHOR para a humanidade caída.

A bíblica existe para a glória de Deus, não devemos usá-la para tentar encontrar a satisfação dos nossos desejos.

Eu sei também que teremos muitos de nossos desejos e todas as nossas necessidades reais satisfeitas, explicadas ou encaminhadas através da Palavra. O que estou dizendo é apenas que, quando lemos a Bíblia tentando encontrar as respostas que nos agradem, estamos certamente cometendo um erro.

No fim, certamente o ensinamento mais importante do texto é que devemos levar uma vida santa. Ao mesmo tempo, ele nos ensina muito mais que isso, nos ensina sobre a bíblia como um todo.

Minha intenção era falar ainda sobre a parte 2 do versículo, mas fica para uma outra hora.

Paz.

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