Estudo de Eclesiastes 5

Em Eclesiastes 5 vemos o pregador falando, basicamente, sobre 3 assuntos:

  • Cuidados com a oração
  • Cuidados com os nossos votos diante de Deus
  • O uso das riquezas

Já vimos Salomão falando muito sobre o uso das riquezas no livro de Provérbios e, aqui em Eclesiastes, temos alguns ensinamentos muito similares ao que vimos no livro anterior. A proximidade dos escritos, novamente, me faz acreditar que foi Salomão quem escreveu este livro.

Debaixo do sol

Antes de meditarmos nos ensinamentos que temos aqui em Eclesiastes 5, quero falar sobre algo que passou sem ser tratado nos capítulos anteriores.

Precisamos nos lembrar que a bíblia é um livro completo. Temos ensinamentos, poemas, leis, músicas, histórias, todo tipo de literatura.

O livro de Eclesiastes, como eu disse antes, é um livro poético, diferente dos outros, reflexivo, talvez até um pouco mais denso. É algo para ser lido e entendido não como regras, como orientações, mas considerando o olhar de quem escreveu, um exercício de empatia com o autor.

Considerando isso, note como o autor, em vários momentos até aqui, utilizou a expressão “debaixo do sol”:

“Há um grave mal que vi debaixo do sol, e atrai enfermidades: as riquezas que os seus donos guardam para o seu próprio dano;”

Eclesiastes 5:13

Esta expressão aparece 36 vezes apenas aqui no livro de Eclesiastes. Para um livro com poucos capítulos, certamente é algo para o qual devemos dar alguma atenção.

Note que, apesar de ser um livro onde o autor parece indignado, entristecido com algumas coisas, tudo isso que ele está relatando é relacionado a coisas “debaixo do sol”. O que ele está dizendo é que, aqui nessa vida, as coisas não serão perfeitas.

Por exemplo, neste versículo 13, ele está falando que o amor ao dinheiro é raiz de males. Isso não vai acontecer na eternidade, na nossa vitória final. Isso acontece apenas aqui, “debaixo do sol”.

Quando ele diz no capítulo 1, por exemplo:

“Que proveito tem o homem, de todo o seu trabalho, que faz debaixo do sol?”

Eclesiastes 1:3

Está falando sobre o que acontece aqui na terra, nesta vida, e não na vida eterna. Ao olhar para tudo o que acontece aqui, ele nota que tudo é vaidade.

Vale ainda dizer que Eclesiastes não é um livro para ser considerado em partes. Para compreendermos a mensagem do pregador, precisamos entender o que ele diz no todo. Ele vai fechar o livro com uma conclusão que nos faz entender o seu pensamento:

“De tudo o que se tem ouvido, o fim é: Teme a Deus, e guarda os seus mandamentos; porque isto é o dever de todo o homem. Porque Deus há de trazer a juízo toda a obra, e até tudo o que está encoberto, quer seja bom, quer seja mau.”

Eclesiastes 12:13,14

Vamos entender cada coisa a seu tempo neste belo livro. Acompanhe esta série toda de posts para entender bem o que o pregador está nos dizendo.

Riquezas e vaidade

Temos uma reflexão importante nos textos dos versos 14 a 17:

“Porque as mesmas riquezas se perdem por qualquer má ventura, e havendo algum filho nada lhe fica na sua mão. Como saiu do ventre de sua mãe, assim nu tornará, indo-se como veio; e nada tomará do seu trabalho, que possa levar na sua mão. Assim que também isto é um grave mal que, justamente como veio, assim há de ir; e que proveito lhe vem de trabalhar para o vento, E de haver comido todos os seus dias nas trevas, e de haver padecido muito enfado, e enfermidade, e furor?”

Eclesiastes 5:14-17

Considerando o que lemos aqui no livro de Eclesiastes, podemos pensar que é apenas mais uma conclusão do pregador de que o trabalho que fazemos aqui é apenas vaidade. Essa é uma conclusão interessante, mas talvez desconsidere o versículo 13:

“Há um grave mal que vi debaixo do sol, e atrai enfermidades: as riquezas que os seus donos guardam para o seu próprio dano;”

Eclesiastes 5:13

No versículo imediatamente anterior, o que o pregador está dizendo é que alguma de nossas atitudes aqui nessa vida, por mais que sejam vaidade, podem trazer consequências. A riqueza com injustiça, por exemplo, na opinião dele, atrai enfermidades. Isso não deve ser novidade para nós que conhecemos a Palavra, Paulo falou sobre isso em Gálatas:

“Não erreis: Deus não se deixa escarnecer; porque tudo o que o homem semear, isso também ceifará. Porque o que semeia na sua carne, da carne ceifará a corrupção; mas o que semeia no Espírito, do Espírito ceifará a vida eterna. E não nos cansemos de fazer bem, porque a seu tempo ceifaremos, se não houvermos desfalecido.”

Gálatas 6:7-9

Outra reflexão do pregador que devemos considerar, é a que ele faz no final do livro, em sua última frase:

“Porque Deus há de trazer a juízo toda a obra, e até tudo o que está encoberto, quer seja bom, quer seja mau.”

Eclesiastes 12:14

Ou seja, além de ter a capacidade de nos afetar, o que fazemos aqui certamente será considerado e julgado por Deus no momento certo. A diferença é que nem sempre colheremos o resultado daquilo que fazemos, aqui nessa vida. Por vezes, veremos o resultado de nossas ações aqui, apenas na eternidade. Se fizemos o bem, se seguimos as leis e mandamentos do SENHOR, colheremos o bem. Se fizemos o contrário, colheremos segundo nossas obras.

A reflexão do pregador, apesar de difícil e pesada, ela leva a uma conclusão correta: nossas atitudes aqui nessa vida, geram uma consequência. A pergunta que fica então é: quais serão as consequências daquilo que você tem plantado?

Paz.

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