Estudo do Evangelho de João 12

O capítulo 12 é o último capítulo daquela parte do Evangelho de João que chamamos de o “O livro dos sinais”. Neste momento, Jesus já fez os sete sinais do livro de João e vai fechar esta primeira parte do livro (na verdade a segunda, se você considerar o prólogo), com a entrada triunfal em Jerusalém e predição do Juízo final.

Veremos os seguintes eventos neste capítulo:

  • Maria unge os pés de Jesus (1-3)
  • Judas Iscariotes finge preocupação com os pobres (4-8)
  • A decisão de matar Jesus e Lázaro (9-11)
  • A entrada triunfal (12-16)
  • A multidão testifica de Cristo (17-19)
  • Os gregos procuram por Jesus (20-22)
  • Jesus prediz sua morte (23-33)
  • Muitos não creem ou não admitem que creem (34-50)

Claro que esta separação do capítulo é apenas uma sugestão minha. Você verá diversos estudiosos com separações bem distintas. É apenas uma interpretação pessoal deste capítulo.

Em posts anteriores, eu já falei um pouco sobre o problema que os fariseus enfretaram quando a multidão começa a testificar de Cristo e também sobre o fato dos gregos procurarem por Jesus. Na meditação de hoje, quero abordar outros assuntos destes capítulo.

A ideia de matar Lázaro

“E muita gente dos judeus soube que ele estava ali; e foram, não só por causa de Jesus, mas também para ver a Lázaro, a quem ressuscitara dentre os mortos. E os principais dos sacerdotes tomaram deliberação para matar também a Lázaro; Porque muitos dos judeus, por causa dele, iam e criam em Jesus.”

João 12:9-11

A ideia de matar Jesus aparece no capítulo 11, quando os fariseus percebem que ficaram sem argumentos para defender que Jesus não era o Cristo. Aqui, no capítulo 12, vemos que eles decidem também matar a Lázaro, de maneira que rapidamente as pessoas se esquecessem disso.

Veja que o texto nos diz que muitos dos judeus, apenas por verem Lázaro vivo, passavam a crer em Jesus. Vale notar também o que dizem os versículos 42 e 43:

“Apesar de tudo, até muitos dos principais creram nele; mas não o confessavam por causa dos fariseus, para não serem expulsos da sinagoga. Porque amavam mais a glória dos homens do que a glória de Deus.”

João 12:42,43

Não temos apenas na conta dos que passaram a crer em Jesus os que o fizeram de maneira declarada. Lemos ainda aqui no texto que muitos dos principais dos judeus creram em Cristo, mas não tiveram coragem de admitir isso. O problema dos fariseus era maior do que eles pensavam.

Por conta desta circunstância, de muitos judeus crendo em Cristo, é que os fariseus decidem matar tanto Jesus, quanto Lázaro.

O ponto de reflexão aqui é que, se não tomarmos cuidado, os nossos desejos, aquilo que nossa alma anseia, pode nos cegar. Ficamos tão distantes daquilo que Deus deseja de nós, que podemos fazer coisas que jamais faríamos. Esse é o “vírus” do pecado tomando conta do nosso corpo e transformando nossas ações.

Quando Cristo, na perícope do bom pastor, fala sobre o papel do ladrão, o que Ele diz é:

“O ladrão não vem senão a roubar, a matar, e a destruir; eu vim para que tenham vida, e a tenham com abundância.”

João 10:10

Nós, como ovelhas, se não tomarmos cuidado, seremos levados pelo ladrão e acabaremos fazendo coisas que nem mesmo gostaríamos de fazer. Esse é um dos riscos do nosso afastamento de Deus.

Foi exatamente o que aconteceu com os fariseus. Eles faziam parte do povo de Deus, as pessoas que o próprio Deus tinha escolhido para serem família. Eles eram a descendência de Abraão, o povo que recebeu uma série de promessas de Deus.

Acontece que eles não entenderam o que Deus estava fazendo, mesmo que tudo estivesse totalmente claro diante deles. Os seus desejos obscureceram a razão, esconderam a fé e os fizeram ignorantes diante de tudo o que estava acontencendo.

Que nós sejamos os que permancem firmes e submissos ao Senhor, pois o afastamento gera esse tipo de situação em nossas vidas.

A entrada triunfal de Jesus em Jerusalém

“No dia seguinte, ouvindo uma grande multidão, que viera à festa, que Jesus vinha a Jerusalém, Tomaram ramos de palmeiras, e saíram-lhe ao encontro, e clamavam: Hosana! Bendito o Rei de Israel que vem em nome do Senhor. E achou Jesus um jumentinho, e assentou-se sobre ele, como está escrito: Não temas, ó filha de Sião; eis que o teu Rei vem assentado sobre o filho de uma jumenta. Os seus discípulos, porém, não entenderam isto no princípio; mas, quando Jesus foi glorificado, então se lembraram de que isto estava escrito dele, e que isto lhe fizeram. A multidão, pois, que estava com ele quando Lázaro foi chamado da sepultura, testificava que ele o ressuscitara dentre os mortos. Por isso a multidão lhe saiu ao encontro, porque tinham ouvido que ele fizera este sinal.”

João 12:12-18

Esta é uma das poucas passagens presentes nos 4 evangelhos. Por isso, precisamos entender bem alguns elementos desse momento, dada a sua importância.

Vale notar que, para entender melhor tudo o que aconteceu neste momento é importante que você leia, pelo menos a descrição que Mateus faz desse mesmo momento. O texto está em Mateus 21.

Eventos próximos

Um dia antes Jesus estava com Lázaro e sua família tendo, provavelmente, repousado por lá. No dia seguinte, ou seja, 5 dias antes da festa da páscoa, Jesus entra em Jerusalém.

Dessa entrada até a festa da paścoa, Jesus realiza uma segunda purificação do templo e vários milagres, como podemos ver relatado nos outros evangelhos.

Jesus vinha de Betânia para Jerusalém

Alguns teólogos afirmam que a sequência de lugares por onde Jesus passou tem a sua importância relacionada com um texto profético de Zacarias. Jesus sai de Betânia, passa pelo Monte das Oliveiras (Mt 21:1) e chega a Jerusalém. O texto de Zacarias é o seguinte:

“E o Senhor sairá, e pelejará contra estas nações, como pelejou, sim, no dia da batalha. E naquele dia estarão os seus pés sobre o monte das Oliveiras, que está defronte de Jerusalém para o oriente; e o monte das Oliveiras será fendido pelo meio, para o oriente e para o ocidente, e haverá um vale muito grande; e metade do monte se apartará para o norte, e a outra metade dele para o sul.”

Zacarias 14:3,4

O ramos de palmeiras

Existe uma linha de pensamento que justifica o uso dos ramos de Palmeiras pela sua importância histórica para o povo de Israel. Nas ordenanças das festas de Israel, lemos o seguinte:

“E no primeiro dia tomareis para vós ramos de formosas árvores, ramos de palmeiras, ramos de árvores frondosas, e salgueiros de ribeiras; e vos alegrareis perante o Senhor vosso Deus por sete dias.”

Levítico 23:40

Hosana!

O povo recebe Jesus clamando: “Hosana! Bendito o Rei de Israel que vem em nome do Senhor”.

A palavra “Hosana” é uma palavra que vem do Hebraico e tem relação com o Aramaico, idiomas usados pelos autores bíblicos. Um dos significados aceitos para o uso do termo neste contexto é o de uma forma especial de reconhecimento daquele que salva, que salvou ou que salvará alguém.

Entendo o contexto completo do clamor do povo, vemos que a multidão estava reconhecendo Jesus como Rei, Salvador e vindo de Deus.

Note que estas três afirmações foram rebatidas veementemente pelos fariseus ao longo do ministério de Jesus. Nem mesmo a ameaças deles conseguiram controlar o povo. Dentre as ameaças estavam a de expulsar o povo das sinagogas. Nada conseguiu controlar o número de evidências que Jesus dá para que o povo creia e assuma que Ele é o Cristo.

Aqui o povo declara algo diretamente relacionado com o Salmo 118:

“Salva-nos, agora, te pedimos, ó Senhor; ó Senhor, te pedimos, prospera-nos. Bendito aquele que vem em nome do Senhor; nós vos bendizemos desde a casa do Senhor.”

Salmos 118:25,26

Jesus vêm sentado sobre um jumento

Existe uma importância histórica aqui que está relacionada, mais uma vez, com a profecia de Zacarias:

“Alegra-te muito, ó filha de Sião; exulta, ó filha de Jerusalém; eis que o teu rei virá a ti, justo e Salvador, pobre, e montado sobre um jumento, e sobre um jumentinho, filho de jumenta.”

Zacarias 9:9

Jesus cumpre assim mais uma das profecias a respeito do Salvador.

Vale notar que nem os discípulos entenderam isso, lembraram-se dessa profecia, a princípio.

O que aprendemos aqui?

Quando a multidão começa a entender quem Jesus é, eles o recebem com honras. Assim deve ser também em nossas vidas.

Podemos começar com certa desconfiança ou sem entender o que Cristo fez por nós. Isso é normal, creio que todas as pessoas passem por isso. Porém, quando entendemos a realidade da Cruz, o sacrifício de Jesus, precisamos mudar a forma como recebemos ao Senhor em nossas vidas.

Ele foi recebido como Rei, como Senhor e Salvador. Devemos receber Cristo em nossas vidas da maneira mais abrangente possível, com honras e da maneira como Ele tem o direito de ser recebido.

Por isso, a reflexão que fica aqui é: como você tem recebido Cristo em sua vida? Você tem dedicado tempo para estar com o Senhor? Tem se disposto a servi-lo em tudo o que Ele lhe pede? Tem honrado a Sua presença como deveria fazê-lo?

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