Estudo de Provérbios 29 – Parte 2

Conforme vai se aproximando o fim do livro de Provérbios, eu tenho sido cada vez mais capturado pelos ensinamentos que temos aqui. Eu realmente fico impressionado com a quantidade de verdades que podemos extrair destes versículos e como é importante que os vivamos intensamente.

Hoje quero meditar um pouco sobre o seguinte texto:

“Não havendo profecia, o povo perece; porém o que guarda a lei, esse é bem-aventurado.”

Provérbios 29:18

Antes de você continuar lendo minha análise quero que você também medite um pouco e reflita sobre o que você aprende com este versículo.

Bem, minha primeira interpretação deste texto foi a de que, quando não existe profeta, alguém falando da vontade de Deus para o povo, o povo perece. Porém, mesmo que não exista profeta, se o povo guarda a lei do SENHOR, ou seja, se segue aquilo que Deus já determinou como lei, esse povo é bem-aventurado.

Note que, talvez, minha interpretação e sua tenham sido um pouco diferentes. Pode ser que a diferença esteja em alguma palavra específica, em alguma parte apenas ou pode até ter acontecido de termos entendido este mesmo versículo de maneiras totalmente opostas.

Como fiquei em dúvidas com a minha interpretação deste texto, resolvi estudar um pouco mais sobre ele. Primeiro fui ver o que dizia Matthew Henry, um dos teólogos que admiro bastante. Ele diz o seguinte:

“Quão desprovido parece um lugar sem bíblias nem ministros! E que presa fácil é este lugar para o inimigo das almas! O Evangelho que apresenta a Cristo é uma visão aberta, que humilha o pecador e exalta o Salvador, e estimula a santidade da vida e o diálogo; estas são verdades preciosas que mantêm a alma viva e impede que ela pereça.”

Comentário Bíblico de Matthew Henry – CPAD – 2019

Veja que ele traz um entendimento diferente do termo “profecia”, que eu interpretei como algo mais relacionado aos profetas do Antigo Testamento e ele trouxe como algo mais contemporâneo, como os pregadores e ministros da Palavra. É uma diferença sutil, talvez até mesmo inocente, mas que nos ajuda a aplicar melhor em nosso tempo a verdade do texto.

Ele também diz que o entendimento de “perecer” é o de sermos uma presa para o reino das trevas e não da morte. Na minha primeira leitura, eu entendi “perecer” como algo mais relacionado à morte, o que não faz sentido.

Também fui analisar o que diz Adam Clarke, que é outro estudioso com o qual eu me identifico muito. Ele diz:

“Onde a revelação divina e a pregação fiel dos testemunhos sagrados não são reverenciadas nem assistidas, a ruína dessa terra não está a grande distância.”

Adam Clarke Bible’s Commentary

O que me chamou a atenação neste comentário de Adam Clarke é que ele traz uma interpretação mais ligada à forma de escrita de Salomão, onde o vemos contrastar pontos de vista nestes provérbios. Dessa forma o comentarista entende que a ideia da parte 1 do versículo é diretamente oposta à segunda, e não um complemento, como eu havia interpretado inicialmente.

Isso me pareceu fazer bastante sentido, uma vez que é uma técnica comum nos provérbios de Salomão. Por isso é importante conhecermos não apenas o versículo, mas seu autor e estilo de escrita. Certamente é algo que nos ajuda a entender mais profundamente a Palavra.

Analisei também outros comentários bíblicos que foram de menor relevância no entendimento deste versículo específico.

Olhei para outras traduções da palavra para captar algo mais. A ARA traz o seguinte:

“Não havendo profecia, o povo se corrompe; mas o que guarda a lei, esse é feliz.”

Provérbios 29:18 – ARA

Na NVI lemos o texto desta maneira:

“Onde não há revelação divina, o povo se desvia; mas como é feliz quem obedece à lei!”

Provérbios 29:18 – NVI

Olhando para as palavras originais traduzidas como profecia e lei, temos o seguinte:

Profecia: 1) visão 1a) visão (em estado de êxtase) 1b) visão (à noite) 1c) visão, oráculo, profecia (comunicação divina) 1d) visão (como título de um livro profético)

Lei: 1) lei, orientação, instrução 1a) instrução, orientação (humana ou divina) 1a1) conjunto de ensino profético 1a2) instrução na era messiânica 1a3) conjunto de orientações ou instruções sacerdotais 1a4) conjunto de orientações legais 1b) lei 1b1) lei da oferta queimada 1b2) referindo-se à lei especial, códigos de lei 1c) costume, hábito 1d) a lei deuteronômica ou mosaica

A primeira palavra faz uma referência à profecia ou orientação divina, então sim, nos dá margem para entender que o ministro da palavra de hoje é aquele que traz a visão de Deus para nós. Isso está mais ligado com a interpretação de Matthew Henry.

A palavra traduzida como lei vem da torá, ou seja, a lei judaica. Nesse sentido, podemos também entender que as pessoas que guardam aquilo que Deus nos pede, são as que serão felizes.

Por fim, meu entendimento deste texto foi o seguinte: quando os pregadores da Palavra se calam, quando não temos acesso à pregação da Palavra, estamos em perigo de sermos uma presa fácil para o reino das trevas. Quando ouvimos a Palavra e a guardamos, somos fortalecidos e seremos felizes. Creio que Salomão está trazendo o mesmo argumento no versículo todo, contrastanto um ponto com o outro, e não trazendo dois pontos distintos no mesmo provérbio.

Em resumo, o que aprendo é o mesmo que Jesus ensinou:

“Mas ele disse: Antes bemaventurados os que ouvem a palavra de Deus e a guardam.”

Lucas 11:28

Porém, o que aprendo de mais importante neste versículo de Provérbios 29:18 é que não posso apenas ler a Palavra. Preciso estudá-la, dedicar-me no entendimento correto das verdades que estão nos textos. Graças ao bom Deus, hoje dispomos de diversos recursos e ferramentas para nos ajudar nessa tarefa.

Estudar a Palavra não é algo que devemos fazer de maneira leviana, sem cuidado. Precisamos ser diligentes no entendimento e também na aplicação das escrituras nas nossas vidas.

Paz.

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