Mateus 5:27-30 fala sobre adultério?

Com certeza. A resposta é simples assim.

Jesus faz inclusive uma referência muito clara ao oitavo mandamento da lei “não adulterarás”. Ele certamente está falando sobre a quebra da aliança conjugal através do adultério.

ATENÇÃO: eu NÃO ACREDITO que esse entendimento que trago a partir daqui tenha sido o que Jesus quis nos ensinar. Trouxe apenas para uma reflexão, tome muito cuidado antes de concordar com o que você vai ler.

Porém, será que não conseguimos aplicar este ensinamento também para nosso relacionamento com Deus? Não é novidade que os pecadores são chamados de adúlteros na Palavra em alguns momentos:

“Adúlteros e adúlteras, não sabeis vós que a amizade do mundo é inimizade contra Deus? Portanto, qualquer que quiser ser amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus. Ou cuidais vós que em vão diz a Escritura: O Espírito que em nós habita tem ciúmes?”

Tiago 4:4,5

Veja este outro texto:

“Disse mais o Senhor nos dias do rei Josias: Viste o que fez a rebelde Israel? Ela foi a todo o monte alto, e debaixo de toda a árvore verde, e ali andou prostituindo-se. E eu disse: Depois que fizer tudo isto, voltará para mim; mas não voltou; e viu isto a sua aleivosa irmã Judá. E vi que, por causa de tudo isto, por ter cometido adultério a rebelde Israel, a despedi, e lhe dei a sua carta de divórcio, que a aleivosa Judá, sua irmã, não temeu; mas se foi e também ela mesma se prostituiu.”

Jeremias 3:6-8

Se pudéssemos aplicar nesse contexto também, o que aprenderíamos? Vamos analisar cada parte do texto:

“Ouvistes que foi dito aos antigos: Não cometerás adultério.”

Mateus 5:27

Já ouvimos, muitas vezes, ao longo da Palavra que não devemos pecar contra o SENHOR. Devemos ser fieis em todo o tempo, sem nunca nos desviarmos. Vemos isso, por exemplo, aqui:

“Mas da árvore do conhecimento do bem e do mal, dela não comerás; porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás.”

Gênesis 2:17

O pecado de Adão e Eva foi um ato de adultério contra o SENHOR que os visitava todos os dias e lhes supria de tudo o que era necessário. Tanto é que, na melhor analogia de um divórcio, de uma separação, eles são obrigados a sair do Éden, e deixam para trás aquela vida ao lado do SENHOR.

Desejo pelo pecado

Jesus continua dizendo:

“Eu, porém, vos digo, que qualquer que atentar numa mulher para a cobiçar, já em seu coração cometeu adultério com ela.”

Mateus 5:28

Aqui Jesus, tal qual fez diversas vezes no sermão da montanha dá um entendimento mais amplo do mandamento da lei, dizendo que o simples ato do desejo, representa um tipo de adultério.

Olhando com o ponto de vista do nosso relacionamento com Deus, isso poderia significar que o simples desejo pelo pecado seria um tipo de adultério contra com o SENHOR. Será que encontramos alguma outra passagem que corrobore isso ao longo da Palavra?

A passagem mais próxima disso é a de Tiago:

“Mas cada um é tentado, quando atraído e engodado pela sua própria concupiscência. Depois, havendo a concupiscência concebido, dá à luz o pecado; e o pecado, sendo consumado, gera a morte.”

Tiago 1:14,15

Temos que separar aqui o que é a tentação do que é o desejo pelo pecado. A tentação não é pecado e não implica o desejo por tal. O desejo pelo pecado não depende da tentação, apesar de também poder nascer através dela.

Temos que tomar cuidado com o que desejamos, com nossas intenções, com nossos pensamentos. Podemos pecar até mesmo desta forma.

Arrancar o olho

Por fim, Jesus diz algo quase que numa repetição:

“Portanto, se o teu olho direito te escandalizar, arranca-o e atira-o para longe de ti; pois te é melhor que se perca um dos teus membros do que seja todo o teu corpo lançado no inferno. E, se a tua mão direita te escandalizar, corta-a e atira-a para longe de ti, porque te é melhor que um dos teus membros se perca do que seja todo o teu corpo lançado no inferno.”

Mateus 5:29,30

Aqui, claramente, Cristo está nos dando uma noção da grandeza eternidade quando comparada aos momentos desta vida. Ele está colocando em perspectiva, de maneira transparente e incisiva, os desejos passageiros, pelo desejo que devemos ter pelo eterno.

Parece uma comparação pesada a que Cristo está fazendo mas, se pensarmos friamente, não é tão dura assim.

Minha avó tinha diabetes. Precisou amputar uma parte da perna por conta da má circulação. Ela tinha duas opções: amputar uma pequena parte do pé, o que ainda lhe daria uma perna funcional, porém com o risco da circulação voltar a não ficar boa, ou amputar uma boa parte da perna e se ver livre do problema. Ela refletiu e decidiu remover a maior parte da perna e depender de uma cadeira de rodas para o resto da vida.

Ela removeu uma parte do corpo por um bem maior. Por qual motivo não faríamos o mesmo para manter nossa santidade?

Essa última parte da passagem está totalmente conectada com nosso relacionamento com Deus. Qualquer coisa que nos leva a desejar o pecado deve ser excluído de nossas vidas. Seja um aplicativo de celular, um canal de televisão, etc. Não vou dar muitos exemplos aqui para não criar nenhum viés, você deve pedir orientação do Espírito Santo para entender o que é que te leva a desejar o pecado.

O que tem levado você a adulterar contra o SENHOR? Será que existe algo em sua vida que você precisa cortar?

Paz.

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