Estudo do Evangelho de João 11

Chegamos enfim ao capítulo 11 do Evangelho de João. Um dos capítulos mais importantes para entendermos o que acontece daqui para frente no relato de João.

Neste capítulo vemos a desconfiança de Tomé, o entendimento de Marta, o amor de Jesus, a ressurreição de Lázaro, Caifás profetizando e complô armado para que Jesus fosse preso.

A ressurreição de Lázaro

Este é o sétimo sinal de Cristo, na minha opinião o mais importante deles:

“Jesus, pois, movendo-se outra vez muito em si mesmo, veio ao sepulcro; e era uma caverna, e tinha uma pedra posta sobre ela. Disse Jesus: Tirai a pedra. Marta, irmã do defunto, disse-lhe: Senhor, já cheira mal, porque é já de quatro dias. Disse-lhe Jesus: Não te hei dito que, se creres, verás a glória de Deus? Tiraram, pois, a pedra de onde o defunto jazia. E Jesus, levantando os olhos para cima, disse: Pai, graças te dou, por me haveres ouvido. Eu bem sei que sempre me ouves, mas eu disse isto por causa da multidão que está em redor, para que creiam que tu me enviaste. E, tendo dito isto, clamou com grande voz: Lázaro, sai para fora.”

João 11:38-43

Para entender essa passagem, é importante que entendamos o contexto: Lázaro morre, Marta e Maria estão sendo consoladas há alguns dias pelos judeus mais próximos. Apenas após 4 dias da morte do amigo, Jesus chega a Betânia e é recebido, inicialmente, por Marta. Marta chama Maria e alguns judeus a acompanham, veem sua conversa com Jesus e notam que Jesus chora a morte do amigo.

Após isso Jesus vai até o sepulcro, pede que removam a Pedra, ora e chama Lázaro para fora. Tudo isso pôde ser visto pelas pessoas que estavam ali com Marta e Maria.

Não sei se você notou, mas alguns judeus viram Jesus ressuscitando Lázaro. Eles tinham plena certeza daquilo pois estavam acompanhando Marta e Maria em seu luto há quatro dias. Eles sabiam que Lázaro estava morto, viram Jesus o chamando e agora estavam vendo Lázaro vivo novamente. Eles eram testemunhas oculares de tudo o que havia acontecido.

É por esse contexto que muitos dos judeus passam a crer em Jesus, como vemos no verso 45:

“Muitos, pois, dentre os judeus que tinham vindo a Maria, e que tinham visto o que Jesus fizera, creram nele.”

João 11:45

Também é por isso que vamos ler no capítulo 12 o seguinte:

“A multidão, pois, que estava com ele quando Lázaro foi chamado da sepultura, testificava que ele o ressuscitara dentre os mortos. Por isso a multidão lhe saiu ao encontro, porque tinham ouvido que ele fizera este sinal. Disseram, pois, os fariseus entre si: Vedes que nada aproveitais? Eis que toda a gente vai após ele. Ora, havia alguns gregos, entre os que tinham subido a adorar no dia da festa.Estes, pois, dirigiram-se a Filipe, que era de Betsaida da Galiléia, e rogaram-lhe, dizendo: Senhor, queríamos ver a Jesus.”

João 12:17-21

A fama de Jesus e a certeza do que Ele havia feito conquistava judeus, fascinava a multidão e chamou a atenção até mesmo dos gregos. Ninguém jamais havia visto aquilo antes.

Vale conectar também com uma das críticas mais comuns dos fariseus para Jesus, a de que o testemunho dele não era verdadeiro:

“Falou-lhes, pois, Jesus outra vez, dizendo: Eu sou a luz do mundo; quem me segue não andará em trevas, mas terá a luz da vida.Disseram-lhe, pois, os fariseus: Tu testificas de ti mesmo; o teu testemunho não é verdadeiro.”

João 8:12,13

A partir da ressurreição de Lázaro, as pessoas, muitas delas judias, passaram a testemunhar que aquele Jesus havia ressuscitado um homem morto há quatro dias. Aquilo foi uma revolução e algo que os fariseus sabiam que não poderiam controlar.

Todas as desculpas, justificativas ou tentativas de questionas Jesus, ali, caíram por terra. Os fariseus não tinham mais saída a não ser afirmar que Jesus era sim, no mínimo, uma pessoa a quem Deus ouvia.

A preocupação dos judeus

“Mas alguns deles foram ter com os fariseus, e disseram-lhes o que Jesus tinha feito. Depois os principais dos sacerdotes e os fariseus formaram conselho, e diziam: Que faremos? porquanto este homem faz muitos sinais. Se o deixamos assim, todos crerão nele, e virão os romanos, e tirar-nos-ão o nosso lugar e a nação.”

João 11:46-48

Um ponto interessante desta história é que a preocupação dos fariseus era sobre o poder que tinham. Note que eles não queriam que os romanos tomassem o lugar deles.

Podemos entender isso estudando um pouco da história de como a sociedade se organizou e o quanto lutaram para se estabelecer como fariseus. Podemos entender, mas não justificar.

Um dos papeis dos fariseus era confirmar se alguém que aparecesse seria ou não o messias. Eles conheciam a lei, as profecias, estudavam este assunto e eram os responsáveis por responder se Jesus era ou não o Messias que os judeus esperavam.

Porém, quando mais nenhuma evidência faltava, o coração deles se abre aqui em João 11. Estavam mais preocupados com sua posição do que com entender se Jesus era ou não o Messias. Mais uma vez, aquilo que a humanidade tem na terra passageira, se torna mais importante do que alcançariam na eternidade. Um padrão que se repete ao longo da Palavra.

Sem saída, sem justificativas, lemos o seguinte:

“Desde aquele dia, pois, consultavam-se para o matarem … Ora, os principais dos sacerdotes e os fariseus tinham dado ordem para que, se alguém soubesse onde ele estava, o denunciasse, para o prenderem.”

João 11:53,57

O ensinamento que temos aqui, o apelo que aparece para mim é um recorrente na Palavra: o que temos nesta terra não é mais importante do que o Reino. Podemos ter poder, tranquilidade, paz e recursos. Nada disso é mais importante do que conquistar o Reino. Se estas coisas se colocam entre nós e o Reino, a decisão é simples.

Este foi o erro do jovem rico e de tantos outros que valorizaram mais esta vida do que a vida com Cristo. Aqui, com os fariseus, temos o ápice desse tipo de situação, onde eles preferiam matar o Messias do que se render a Ele.

A profecia de Caifás

Um outro ponto alto deste capítulo de João é a maneira como Caifás profetiza a respeito de Jesus:

“E Caifás, um deles que era sumo sacerdote naquele ano, lhes disse: Vós nada sabeis, Nem considerais que nos convém que um homem morra pelo povo, e que não pereça toda a nação. Ora ele não disse isto de si mesmo, mas, sendo o sumo sacerdote naquele ano, profetizou que Jesus devia morrer pela nação. E não somente pela nação, mas também para reunir em um corpo os filhos de Deus que andavam dispersos.”

João 11:49-52

Ao ler o capítulo como um todo, parece que os fariseus ignoram a fala do sumo sacerdote, que está profetizando sobre a morte de Cristo.

Interessante notar aqui que Deus usa quem quer, quando quer, da maneira que lhe é melhor. Dentro do grupo dos fariseus, que procuravam matar Jesus, Deus escolhe um deles, o sumo sacerdote, para profetizar sobre a morte expiatória de Cristo.

Esse tipo de relato, de Deus usando os improváveis, não é incomum na bíblia. Vemos isso em Números, com a mula de Balaão, com Saul em 1 Samuel e aqui.

Acontecimentos como esses devem nos lembrar quem é Deus é quem são as criaturas. É comum tentarmos definir o que Deus pode, não pode, deveria e não deveria fazer. Ele é Deus e faz o que bem quiser, mesmo que seja usar um fariseu para profetizar sobre o Salvador.

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