Estudo de Eclesiastes 2 – A questão da expectativa

Em Eclesiates 2 vemos o pregador fazendo mais uma reflexão sobre a vida dele. Dessa vez, talvez, analisando-a de maneira mais ampla.

Neste capítulo vemos alguns textos que reforçam a possibilidade desse texto ter sido escrito por Salomão, algo que me parece ser verdade, mas que, como disse antes, não é consenso.

Deste capítulo, quero destacar primeiramente como o pregador faz uma retrospectiva do que fez na vida:

  • Buscou prazer (versículo 1)
  • Buscou ter alegrias (versículo 2)
  • Tentou ter prazer através do álcool (versículo 3)
  • Fez grandes obras (versículos 4 a 6)
  • Acumulou muitas posses (versículo 7)
  • Foi dono de imensa riqueza (versículo 8)
  • Teve o reconhecimento das pessoas (versículo 9)
  • Trabalhou arduamente (versículo 10)

Após fazer todas estas coisas, ele chega à conclusão:

“E olhei eu para todas as obras que fizeram as minhas mãos, como também para o trabalho que eu, trabalhando, tinha feito, e eis que tudo era vaidade e aflição de espírito, e que proveito nenhum havia debaixo do sol.”

Eclesiastes 2:11

Aqui o pregador parece-me concluir algo muito relacionado com o que vimos no capítulo 1: de nada adiantou fazer tudo isso.

Após isso ele diz então que começou a buscar sabedoria e entender a loucura. Então afirma:

“Então vi eu que a sabedoria é mais excelente do que a estultícia, quanto a luz é mais excelente do que as trevas.”

Eclesiastes 2:13

O que ele diz aqui é: busquei a sabedoria, olhei para a loucura (estultícia) e vi que a sabedoria é melhor que a falta dela. Porém, logo em seguida, num versículo que muitos comentaristas resolvem deixar de lado, ele diz o seguinte:

“Assim eu disse no meu coração: Como acontece ao tolo, assim me sucederá a mim; por que então busquei eu mais a sabedoria? Então disse no meu coração que também isto era vaidade.”

Eclesiastes 2:15

A conclusão dele até aqui foi: ora, se o dia mal vem para todas as pessoas igualmente, se a morte chegará da mesma forma para o tolo e para o sábio, por qual motivo buscaríamos a sabedoria?

É importante notarmos aqui o significado de vaidade nesse contexto. Claramente o pregador não está falando sobre a vaidade como estamos acostumados a utilizar no português, que está muito relacionado à aparência física. Aqui, esta vaidade significa aquilo que é ilusório, passageiro, que é vão.

Ele está afirmando que todo o trabalho que fez, que todas as coisas que realizou, que os prazeres que buscou, foram em vão. A mesma coisa ele afirma a respeito de buscar a sabedoria.

Então no versículo 17 ele diz o seguinte:

“Por isso odiei esta vida, porque a obra que se faz debaixo do sol me era penosa; sim, tudo é vaidade e aflição de espírito.”

Eclesiastes 2:17

O que me parece aqui é que o pregador estava buscando algo que o satisfizesse aqui nessa vida. Falamos sobre isso no estudo de Eclesiastes 1, e este tema parece voltar aqui no capítulo 2, a vontade do pregador de satisfazer a sua alma e o seu desespero em perceber que nada que ele fizer vai trazer essa satisfação.

Após todas estas reflexões, ele vai concluir algo no versículo 24:

“Não há nada melhor para o homem do que comer e beber, e fazer com que sua alma goze do bem do seu trabalho. Também vi que isto vem da mão de Deus.”

Eclesiastes 2:24

Após tentar todas as coisas possíveis, ele entende que, para Ele, nada há melhor do que aproveitar do fruto do trabalho, e que isso vem das mãos do Senhor para nossas vidas.

A conclusão que ele está chegando é: o que tem de bom nessa terra para nós, vem de Deus. Esta é uma conclusão perfeita.

Essa busca da satisfação que ele demonstra nesse capítulo e a conclusão que ele chega me remeteram ao texto de Paulo:

“Se esperamos em Cristo só nesta vida, somos os mais miseráveis de todos os homens.”

1 Coríntios 15:19

Ou seja: se achamos que vamos fazer algo que vai nos satisfazer nessa vida, estamos enganados. Seremos muito abençoados por Deus com coisas nessa vida, mas isso não nos trará satisfação real. A nossa satisfação só será totalmente preenchida com o que é eterno.

Este pensamento pode rapidamente nos levar a outro: se nada vai nos satisfazer, então por qual motivo deveríamos nos dedicar a algo aqui na terra?

Na minha opinião, a resposta está também em algo que Paulo escreveu:

“Mas tu, sê sóbrio em tudo, sofre as aflições, faze a obra de um evangelista, cumpre o teu ministério. Porque eu já estou sendo oferecido por aspersão de sacrifício, e o tempo da minha partida está próximo. Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé. Desde agora, a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, justo juiz, me dará naquele dia; e não somente a mim, mas também a todos os que amarem a sua vinda.”

2 Timóteo 4:5-8

Paulo sabia que, mesmo que a nossa satisfação não fosse nas coisas desta vida, nosso empenho no que fazemos aqui não deveria ser menor. Pelo contrário, é justamente por entender que nossa vitória está na eternidade, é que devemos ser diligentes no que fazemos aqui, pois o que fazemos nesta vida, bom ou mal, terá algum tipo de peso para toda a eternidade.

Portanto, o apelo aqui é: entenda que o que você faz nessa vida tem um peso na eternidade, que é onde nossa verdadeira satisfação vai ser completa. Seja diligente no seu trabalho e no seu ministério, não esperando algo para esta vida, mas com a certeza da vitória eterna.

Paz.

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